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quarta-feira, abril 14, 2021
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Programas de milhas: confiabilidade e estratégias

Com tantas mudanças, tantos empecilhos e tantas “tiradas de tapete” a vida das pessoas que optam por resgatar bilhetes via programas de milhas está cada vez mais difícil.

O primeiro e mais grave problema em relação aos programas é a confiabilidade. Vou lembrá-los de alguns casos recentes:

  • a própria TAP – ainda Victoria – inflacionou a tabela de resgates dando 15 dias de antecedência no início do ano passado;
  • o LATAM Fidelidade muda seu regulamento quase que anualmente – teve um ano que mudou 2 vezes, e sempre fica mais difícil conseguir status;
  • a Multiplus, que lançou o novo Clube em janeiro de 2018 para, em seguida, começar um processo de erosão que culminou por desfigurá-lo completamente em 2019 – tudo sem aviso prévio;
  • o Smiles, que também alterou radicalmente seu regulamento para esse ano, além de estarmos sem qualquer possibilidade de emissão com a Delta e outras companhias aéreas em classe executiva (apesar de toda a disponibilidade oferecida para a filial argentina);
  • não sabemos até que ponto o Lifemiles pode ser prejudicado pela situação econômica da Avianca Internacional, que também inspira cuidados; além disso, os resgates saindo do Brasil nas cabines premium estão bem complicados;
  • está rolando um rumor fortíssimo que haverá uma grande mudança no AAdvantage no dia 31 de julho, mas nada confirmado ainda.

Um outro ponto fundamental é que, há algum tempo, os programas abandonaram a fidelidade em troca do gasto. Um passageiro que gasta USD 5.000 em um bilhete para voar 10.000 milhas tem mais valor para a empresa do que aquele que gasta USD 5.000 em cinco bilhetes e voa 50.000 milhas. Certo ou errado, essa é a realidade de grande parte dos programas hoje em dia.

Eu, por exemplo, que continuo a considerar status um elemento importantíssimo da minha relação com companhias aéreas e alianças em geral, abandonei essa estratégia esse ano porque não vejo o menor sentido – e nem tenho como – gastar USD 15.000 em passagens para me manter Emerald na Oneworld.

Tampouco tenho disposição para viajar 50.000 milhas na econômica da United ganhando 5.000 milhas por viagem para ser Gold na Star Alliance. Esse tempo já passou para mim.

Atualmente, tenho status conquistado com o AAdvantage (Executive Platinum), Smiles (Diamante), LATAM Fidelidade (Platinum). E tenho status match com a Aerolíneas (Oro) e Ethiopian (Gold).

Ano que vem, só manterei o Smiles Diamante, porque já está garantido mesmo. Se sair algum match para a Oneworld ou para a Star Alliance no final do ano, eu vou tentar. Se der, deu. Se não der, paciência.

Com tantos problemas, como proceder, qual estratégia a adotar?

Eu vou manter o Clube Livelo 20.000 e só vou transferir para um programa quando preenchidos dois requisitos:

  • tiver uma promoção com, pelo menos, 100% de bônus para o Miles&GO e Smiles, e 40% para a Multiplus; e transferências para o Lifemiles na proporção 1.3:1 só se for para completar emissão;
  • ter uma emissão em mente no curto/médio prazo.

Preenchidos esses requisitos, eu transfiro a quantidade exata de pontos para emissão. Já as transferências 2:1 para os demais programas, nem pensar: não vale mesmo.

Mantenho o Clube Multiplus 1.000 só para uma eventualidade – é baratinho e geralmente garante o preenchimento do requisito de pertencer aos dois clubes.

Promo TAP Livelo com 100%: mandei o suficiente para emitir um bilhete em executiva para a América do Norte. Foi na conta. Nem uma milha a mais, nem uma milha a menos.

Promo Livelo Smiles 120%: não mandei nada. As milhas bônus têm validade de 6 meses – dez de 2019. Posso emitir até dez de 2020. Já tenho algumas viagens marcadas e acho que 2020 será um ano de apertar muito o cinto. Logo, no meu caso, entendi que seria imprudente aproveitar a promo.

Minhas milhas AAdvantage valem ouro e estão guardadas a sete chaves. Se houver uma desvalorização de tabela em julho, vou ponderar se gasto ou se entubo o prejuízo.

Minha outra decisão

Há alguns meses, noticiei uma ótima promoção da Lufthansa na reinauguração da rota Guarulhos – Munique, agora com o A350. A ida e volta em business estava por R$ 4.500,00 com taxas inclusas, podendo parcelar, sem juros, em até 10x no cartão de crédito. Havia também excelentes preços para premium economy e econômica.

Na ponta do lápis, essa emissão me exige 230.000 milhas no TAP Miles&GO. Isso me custa 115.000 pontos Livelo em uma promo de 100% de bônus. Consigo esses 115.000 usando 6 meses de pontos do Clube 20.000 (R$ 649,00/mês), que saem por R$ 3.894, sem taxas. As taxas do voo que reservei saem por R$ 557,00. Isso totalizaria R$ 4.451,00.

Ou seja, eu economizaria R$ 49,00 na Livelo, mas gastaria milhas. Na minha passagem eu ganho 100% de milhas no MileagePlus ou no Miles&More.

Se eu fosse fazer as contas com a compra de pontos a R$ 42,00 o milheiro, sairia mais caro emitir pelo TAP Miles&GO do que comprar diretamente com a Lufthansa.

Então, também decidi que, se aparecer uma promoção desse calibre que me interesse pelas datas, destino, custo total para meu orçamento pessoal, eu vou comprar a passagem e pronto.

Resumindo, estou botando menos fé nos programas de milhas …

Políticas do dia a dia

Minhas despesas do dia a dia faço todas no cartão. Até o pão na padaria vai no cartão.

Compras mais caras – tipo eletrodomésticos, computadores, etc – só em promoção que me dê, no mínimo 10 pontos por real gasto.

Também aproveito algumas compras mais corriqueiras tipo shampoo e tênis nessas promoções Netshoes, Natura etc. Também nessa faixa mínima de 10 pontos por real gasto.

Hotéis

Quanto à hospedagem, já tenho que ponderar um pouco mais entre Submarino, Hoteis.com e Hilton.

  • Submarino só com, no mínimo 10 pontos por real gasto, quando a viagem está mais próxima, porque geralmente as promos são para tarifas não-reembolsáveis e o crédito dos pontos só ocorre após a hospedagem;
  • Hoteis.com para reservas canceláveis com as melhores tarifas. Sempre que compro a passagem, já reservo com bastante antecedência se os preços estiverem bons.
  • Hilton com tarifas razoáveis e em hotel que tenha um bom lounge – na Ásia, principalmente. Sou Gold e tenho direito a upgrade de quarto, early check-in e late, às vezes very late check-out … rsss … Aí fico tenho acesso ao executive floor e tenho café da manhã e jantar em buffet com bebida alcóolica livre gratuitos. Em Bangkok, por exemplo, é um verdadeiro banquete! Pago a diária um pouco mais cara, mas economizo nas refeições. Vale a pena!

Então …

Essas são minhas decisões e estratégias e servem para mim. Cada um deve sentar e fazer as contas na ponta do lápis para decidir o melhor caminho a tomar.

E vocês? O que estão achando da situação geral dos programas de milhas e como estão planejando suas viagens?

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